Vou começar sendo muito honesta: eu também não gosto de burocracia. Sou uma pessoa extremamente prática. Gosto do que funciona, do que é aplicável, do que resolve o problema real do negócio. E talvez por isso eu tenha uma crítica muito clara ao sistema hiperburocrático brasileiro.
Empreender no Brasil já é difícil por natureza. O que o sistema faz, muitas vezes, é adicionar camadas de complexidade que não protegem — apenas cansam. Formulários intermináveis, exigências desconectadas da realidade da empresa, documentos que ninguém lê e processos que parecem existir mais para justificar o próprio sistema do que para gerar segurança.
É natural que o empresário crie resistência a tudo isso. E, sendo bem justa, essa resistência não é o problema. Ela é compreensível.
O problema começa quando, para fugir da burocracia, a gente passa a tratar o cumprimento da lei como algo que precisa ser "resolvido rápido" e esquecido. Cumpre-se no papel, mas não se constrói entendimento.
O mercado vende muito documento e pouca eficácia.
Vejo empresas com estruturas jurídicas impecáveis no papel, mas com times completamente perdidos sobre limites, responsabilidades e impacto das próprias decisões. Isso não protege a empresa. Isso só cria uma falsa sensação de segurança.
Eu prefiro — de longe — um time consciente, engajado e bem orientado do que uma pasta cheia de políticas que ninguém entende. Cumprir a lei não deveria ser sinônimo de burocracia. Deveria ser sinônimo de clareza, previsibilidade e maturidade.
Talvez o verdadeiro salto do empresário esteja em separar as coisas: rejeitar a burocracia vazia, sem rejeitar a consciência necessária para sustentar o crescimento.
No fim, não é sobre gostar de regras. É sobre não deixar que um sistema mal desenhado te impeça de construir uma empresa sólida, confiável e preparada para o longo prazo.
Esse é um tema que aprofundo em palestras e treinamentos voltados para empresas que querem sair do papel e levar consciência para a prática.