Home Sobre Áreas de Atuação Doing Business in Brazil Equipe Blog Contato
Direito de Família e Sucessões

Você contratou funcionários ou construtores do seu negócio?

Descubra por que formar pessoas comprometidas vale mais do que apenas contratar executores.

Martina Hanna do Nascimento El Atra
Sócia — Alltra Jurídico
28 Jul 2026

Uma das reflexões mais interessantes que tive lendo Marketing Empreendedor, de Philip Kotler, foi perceber que muitas empresas contratam pessoas para executar processos, quando, na verdade, deveriam formar pessoas capazes de construir o próprio negócio junto com elas.

Antes de continuar, um ponto importante: burocracia não é um problema.

Processos, regras, controles e indicadores existem para organizar a empresa, reduzir riscos e permitir crescimento sustentável. Uma empresa sem processos dificilmente consegue escalar.

O problema começa quando a burocracia ocupa tanto espaço que elimina a iniciativa.

No livro, Kotler compara o marketing tradicional ao marketing empreendedor. Enquanto o primeiro privilegia planejamento, previsibilidade e controle, o segundo adiciona velocidade, experimentação e disposição para assumir riscos calculados.

O exemplo da Google

Um dos exemplos mais conhecidos é o da Google.

Durante muitos anos, a empresa incentivou seus colaboradores a dedicarem aproximadamente 20% do tempo de trabalho a projetos que, na visão deles, poderiam gerar mais valor para o negócio. Dessa cultura nasceram soluções como o Gmail, o Google Maps e o Google AdSense.

A mensagem não é que toda empresa deva liberar 20% da jornada para projetos paralelos.

A verdadeira lição é outra: quando uma empresa cria espaço para que as pessoas pensem como donas do negócio, ela deixa de depender exclusivamente das ideias da liderança.

Esse raciocínio conversa diretamente com outro estudo publicado pela Harvard Business Review: grande parte das empresas que hoje lideram seus mercados não chegou até lá apenas aperfeiçoando o que já fazia. O crescimento veio da capacidade de assumir riscos, testar caminhos diferentes e apostar em inovações relevantes, não apenas em melhorias graduais.

Os riscos do conservadorismo

Esse ponto merece atenção. Quando uma organização mede sucesso exclusivamente por produtividade, cumprimento de processos e resultado financeiro de curto prazo, ela naturalmente incentiva comportamentos conservadores.

Os colaboradores passam a evitar riscos, deixam de sugerir mudanças e fazem apenas aquilo que está previsto no manual.

No curto prazo, isso transmite segurança. No longo prazo, pode significar estagnação.

As empresas que permanecem relevantes costumam encontrar um equilíbrio saudável: mantêm um nível adequado de burocracia para garantir organização, compliance e previsibilidade, mas preservam espaço para autonomia, criatividade e pensamento empreendedor.

No fim, a pergunta talvez não seja: "Minha empresa tem processos?"

Mas sim: "Meus processos ajudam as pessoas a inovar ou apenas impedem que elas tentem?"

Porque empresas não crescem apenas quando controlam melhor seus colaboradores. Elas crescem quando conseguem transformar colaboradores em pessoas comprometidas em construir um negócio melhor todos os dias.

Referências

  • KOTLER, Philip. Marketing Empreendedor.
  • Harvard Business Review — estudos e artigos sobre inovação corporativa, empreendedorismo interno (intrapreneurship) e crescimento por inovação.
Com cuidado e estratégia,
Martina El Atra.

Advogada empresarial, especialista em direito digital, LGPD, inteligência artificial e contratos, tendo atuado com empresas nacionais e multinacionais. Sócia da Alltra Advogados, membro da comissão da OAB/SP de Proteção de Dados.

Mais artigos
Direito de Família e Sucessões
Pensão Alimentícia e Imposto de Renda
Ler artigo →
Licitações e Contratos Administrativos
Reforma Tributária pode alterar o valor dos contratos públicos
Ler artigo →
Estratégia processual
O Processo Judicial é um jogo de xadrez e poucos advogados percebem isso
Ler artigo →

Tem uma decisão
importante à frente?

A Alltra atua ao lado das empresas nas escolhas que definem seu futuro.

Falar com a equipe