O processo judicial se parece muito mais com um jogo de xadrez do que muitos advogados imaginam. Para muitos profissionais, ele ainda é visto apenas como uma sequência de prazos, petições e decisões.
Mas quem atua de forma estratégica sabe: o processo judicial é um tabuleiro de xadrez.
No xadrez, cada movimento precisa ser milimetricamente calculado. Uma peça movida sem estratégia pode comprometer toda a lógica da partida. No processo judicial acontece exatamente o mesmo.
Cada petição protocolada, cada manifestação apresentada e cada decisão tomada representam movimentos no tabuleiro processual. E, assim como no xadrez, quem se limita a reagir aos movimentos do adversário raramente ganha o jogo.
Visão de jogo, não apenas técnica
A advocacia estratégica exige algo além da técnica jurídica. Exige visão de jogo.
É preciso observar o posicionamento das "peças", antecipar os possíveis movimentos da parte contrária e estruturar o processo pensando alguns passos à frente.
Quando o processo é conduzido apenas pela urgência ou pela emoção do momento, cada petição se torna uma reação, e não uma jogada. Processo não é impulso. Processo é estratégia.
No processo judicial, a petição é apenas a peça. A estratégia é o jogo.
E a verdade é simples na prática forense: quem não entende o tabuleiro joga três movimentos atrás. Quem apenas reage no processo não está jogando — está sendo conduzido pelo seu adversário.
No final, quem compreende o tabuleiro não está fazendo apenas uma jogada. Faz a próxima antes mesmo de o adversário perceber.
Caroline Tauany, advogada especializada em Direito Processual Civil pela COGEAE PUC/SP, além de Direito Digital, Compliance e Direito Imobiliário pela FGV/SP. Atua há 8 anos em consultorias personalizadas, possui experiência contenciosa nos tribunais e desenvolve trabalho contratual, preventivo e estratégico.