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O raio-X que pode salvar sua aquisição: como funciona a due diligence

Uma investigação detalhada antes de fechar o negócio pode evitar surpresas caras — e até salvar toda a operação

Carolina Silva Fernandes
Advogada, Direito Societário — Alltra Jurídico
29 de maio de 2026

Por que a due diligence é importante?

Quando uma empresa pretende comprar outra, é essencial fazer uma investigação detalhada antes de fechar o negócio. Essa investigação é chamada de due diligence.

Na prática, é como uma "radiografia" da empresa que será adquirida: examina-se sua saúde financeira, seus contratos, seus funcionários, seus processos na justiça e muito mais. O objetivo é simples — evitar surpresas desagradáveis depois da compra.

O que se analisa?

A investigação cobre diversas frentes:

  • Documentos da empresa (contratos sociais, atas)
  • Contratos com clientes e fornecedores
  • Situação dos empregados
  • Processos judiciais em andamento
  • Conformidade com leis e regulamentos
  • Licenças de funcionamento
  • Marcas e patentes
  • Imóveis, tributos e seguros

O escopo pode variar conforme o setor — uma empresa farmacêutica, por exemplo, exige atenção redobrada ao cumprimento da regulação, enquanto uma empresa de tecnologia demanda foco em propriedade intelectual.

Como funciona na prática?

Tudo começa com um acordo de confidencialidade entre as partes, garantindo que as informações compartilhadas não serão usadas indevidamente. Em seguida, o comprador apresenta uma lista de documentos que deseja examinar, o vendedor organiza esses materiais e a equipe do comprador revisa os documentos, faz perguntas e solicita esclarecimentos até formar um panorama completo.

Quanto tempo leva?

O prazo de uma due diligence varia bastante. Em operações mais simples e com documentação bem organizada, o processo pode ser concluído em poucas semanas. Já em transações maiores ou mais complexas — com muitos contratos, processos judiciais ou questões regulatórias —, a investigação pode se estender por vários meses.

O que acontece com os resultados?

Ao final, é produzido um relatório com os principais achados e recomendações. Além de orientar a negociação, esse mapeamento prévio dos riscos facilita a integração da empresa adquirida após o fechamento, permitindo que o comprador já tenha um plano de ação para lidar com os pontos de atenção identificados.

Uma due diligence bem-feita é, portanto, investimento — não custo.

Como os resultados influenciam a negociação?

Os achados da due diligence têm impacto direto na negociação. Se a investigação revela, por exemplo, processos judiciais relevantes ou dívidas não declaradas, o comprador pode:

  • Pedir uma redução no preço
  • Exigir que parte do valor fique retida em uma conta garantia até que os riscos se resolvam
  • Solicitar que o vendedor regularize determinadas pendências antes do fechamento

Em alguns casos, os resultados podem até levar à desistência do negócio. Por outro lado, uma due diligence sem achados críticos fortalece a confiança entre as partes e tende a acelerar a conclusão da operação.

Com estratégia e cuidado,
Carolina Silva Fernandes.
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